quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Perigo no emissário

Eliana:

O que vou lhe dizer a seguir não é resposta para publicação nem interferência no seu trabalho jornalístico. É apenas um esclarecimento de caráter pessoal para evitar que você incorra em um erro perigoso da nossa imprensa: ser usada inadvertidamente para satisfazer interesses viciados.

É sobre esta questão do emissário. Veja:

- O emissário da zona sul de Natal (que está para ser construído nas mediações da Barreira do Inferno) já foi por demais discutido e questionado em várias audiências públicas, reuniões com Ministério Público, com o CONSAB (conselho municipal de saneamento - muito rigoroso porque é composto com os mais ferrenhos estudiosos e críticos de toda esta questão ambiental etc.) Se você fizer uma pesquisa nos jornais dos últimos dois anos vai comprovar isto.

- Um impasse inicial se deu porque os especialistas nacionais e as autoridades em saneamento do Ministério das Cidades insistiam que a solução do emissário já é uma forma de tratamento químico (em alto mar) dos dejetos e que, portanto, não iriam financiar nenhum tratamento PRÉVIO ao lançamento dos mesmos no emissário. Que isto ocorre em vários lugares do mundo, inclusive no RJ, e o resultado é um sucesso, com absoluta segurança... E que o Ministério não ia aplicar dinheiro em DOIS tratamentos, o que seria desperdício de recursos.

- A CAERN e demais autoridades locais, então, tentaram fazer com o que fosse feito um pré-tratamento básico, chamado de PRIMÁRIO, que 'limparia' parcialmente os dejetos. O Ministério chegou a aceitar, mas o CONSAB e os ambientalistas locais (inclusive a Dra. Gilka da Mata, Promotora do Meio Ambiente) não aceitaram. Disseram que o tratamento primário era incipiente. Queriam um tratamento mais rigoroso, que limpasse tudo e fizesse com que o lançamento fosse só quase da água (forma leiga de dizer).

- Diante disto, várias autoridades, inclusive a Governadora, a Prefeita e os próprios técnicos ambientais do Município e do Estado, com apoio dos ambientalistas, foram várias vezes ao Ministério para convencê-los de que deveríamos, sim, fazer o tratamento SECUNDÁRIO, mais caro, mas que daria total segurança ao sistema do emissário. Este ano, já no prazo final do contrato (após o que o dinheiro - não aplicado - deve ser devolvido e... perdido), conseguiu-se FINALMENTE que o Ministério aceitasse esta solução secundária. 

- Assim, conciliaram-se todos os pontos de vista e, embora mais caro (o que retirará dinheiro de outras obras de saneamento urgentes de outros bairros da cidade) e requerendo uma manutenção mensal também muito cara à CAERN, será feito o tratamento secundário junto com o emissário, ou seja, teremos DOIS tratamentos atuando em conjunto.

- Esta solução conciliada veio quando o dinheiro já estava sendo perdido e, com ele, a oportunidade ímpar de fazermos o saneamento de toda a zona sul de Natal que - hoje - lança dejetos sem tratamento algum (nem secundário, nem terciário) não a quilômetros de distância nas profundezas do mar salgado que reage quimicamente com os dejetos e limpa-o todo, mas no JARDIM das casas, dos prédios, a dois ou 3 metros de onde você almoça, dorme, suas crianças brincam e, pior, em fossas que pergolam (infiltram) todos os dejetos 'in natura' que vão se juntar com o lençol freático que é de onde vem a água que você usa para tudo em casa. Retorna tudo para os moradores causando problemas sérios como o do nitrato...

- Várias outras soluções, mais baratas e simples de fazer e de manter, foram discutidas para tratamento do esgoto da zona sul de Natal. Nenhuma foi considerada ideal, porque ali é tudo areia. E qualquer solução que reinfiltre esgoto na areia, ainda que haja qualquer tipo de tratamento prévio, não é boa para a região. O emissário não foi a primeira opção, exatamente por ser cara, sofisticada. Mas foi a única considerada segura.

Portanto, Abelha, não podemos dar guarida a pessoas desinformadas ou com teses ultrapassadas ou com interesses outros (sejam quais forem - inclusive o de impedir que o atual Governo realize avanços importantes em ações que outros não conseguiram fazer... prejudicando a população) gere mais tumulto e dificuldades a quem está fazendo, realizando, avançando, com imensos desafios pela frente... precisando do apoio, principalmente, das pessoas de bem que realmente se preocupam com o desenvolvimento e o bem estar de todos... como é o seu caso.

Mais informações técnicas ou elementos específicos que queira discutir ou esclarecer, pode me enviar que eu submeterei às instâncias técnicas competentes para melhor avaliação.

Abraço,


Vagner Araújo

Secretário-Chefe do Gabinete Civil
Estado do Rio Grande do Norte

Tel +55 84 32325180
www.gabinetecivil.rn.gov.br

vagneraraujo.com

Um comentário:

Rilder disse...

Ponderado e oportuno o esclarecimento. Sugiro ainda que as autoridades responsáveis pelo projeto promovam um seminário eclusivo para os jornalistas conhecerem e debaterm com profundidade temas como esse, que possa despertar polêmica. Com tantos twitters, blogs, sites, etc, nunca foi tão fácil polemizar!!!